Uma Vida em Versos e Prosas


18/05/2008


Mãe Universal

Mãe universal

Carlos de Sena

 

Mãe, mãe, oh! Mãe

 

Quando eu vim ao mundo,

cortaram o meu cordão umbilical,

meu sofrimento foi profundo,

por que me fizeram esse mal?

 

II

Mãe: estava tão acostumado com você

nesse processo fundamental,

que foi difícil entender

que tudo aquilo era normal.

 

III

Contudo, eu tive a graça de saber,

no meu desenvolvimento capital,

que você haveria de ser:

a mãe querida e original.

 

IV

E, constatei ainda quê:

toda mãe é igual

parecida muito com você

sem superioridade, bem natural.

 

IV

Cristo teve mãe, para se saber:

que toda mãe é especial,

mãe minha, mãe de você,

mãe de todos, mãe universal.

 

Escrito por Carlos de Sena às 17h21
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

05/04/2008


Confissão de um Caipira

 

Confissão de um Caipira

(título original: Poema Caipira)


Seu padre eu vou lhe contá,

o que se passou por lá

com este caboco joão:

 

A estória é muito fremosa

que passou com eu e a rosa

la pras bandas do sertão.

 

Esse caso é afamado

só pro fato de ser dado

ao caboco a condição

de levá o ano inteiro,

como cabra prisioneiro

das grades dessa páixão.

 

São passados cinco anos,

que conheci a caboca

e que nosso amô nasceu.

 

Eu beijava a sua boca,

essa páixão era louca

inté que um dia morreu.

 

Morreu pro que um dotô,

so pro mode tê amô

com ela quis sê feliz,

carregando com a caboca,

deixando minha alma louca

meu coração assim diz.

 

Eu fiquei desesperado,

quis matá esse danado

que minha vida levou.

e jurei pro minha amada,

que seria bem vingada,

q paixão que me roubou.

 

E um dia, pensei vingá,

corri pra estrada deserta,

por trás da moita coberta

esperei ele passá.

 

Mas quis lhe dizê primeiro,

que o cabra prisioneiro,

das grades dessa paixão,

não matava um forasteiro,

por trás da moita, a traição.

 

Só matava com ciência,

pra que a luz da providência

nele pusesse o perdão.

era seis horas da noite,

já começava tardán

na igreja da capelinha

as badaladas a tocá.

 

Quando avistei a rosinha,

trazia nos braços a filhinha

e se vinha para cá.

pela pobre criancinha

fui forçado a perdoá.

 

E foi assim meu pecado,

veja se tenho perdão,

por nosso senhor jesus cristo:

tenha de mim compaixão!

Escrito por Carlos de Sena às 18h56
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Enganam-se

Enganam-se


Disseram-me, certa vez,

que eu era ultrapassado

e que motivo me fez

ter mulher pra todo lado.

II

Eu respondi com franqueza

do jeito que assim me faz,

é só saber com certeza

o amor que ela me traz.

III

Pois sem amor, nada feito

se não gostar muito de mim

meu desejo está desfeito

eu sempre fui mesmo assim.

IV

Porque não adianta carinho,

se não houver o amar

prefiro ficar sozinho

eu mesmo vou me gostar.

IV

E confirmando com nobreza,

se muitas eu tive, “talvez”,

quero aceitar com pureza

por ser assim toda vez.

VI

Ainda respondo, pois não,  

que não sou ultrapassado

o certo ser um sultão,

por ter mulher pra todo lado!

Escrito por Carlos de Sena às 18h56
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Lembranças sempre presentes

Lembranças sempre presentes

Na parede do meu atual recanto,

muitas fotos junto a elas estão,

lembra o presente e passado encanto

com harmonia e com grande expressão.

II

Na minha trajetória, entretanto,

elas, certamente, comporão,

o registro de quem produziu tanto

fazendo filhos com muita devoção.

III

Fotos que assim me causam pranto,

e a lembrança me renova então,

vendo o passado, no presente estanco.

IV

Todos os meus filhos retratados são,

se alguém pergunta, onde estão, no entanto,

logo eu respondo: dentro do meu coração.

Escrito por Carlos de Sena às 18h55
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Luz da inspiração

 

Se, por ventura, me faltar a calma,

nessa dolente luz da inspiração,

por certo, há de sentir minha alma,

o refletir distante de um clarão.

II

Se, por ventura me faltar o tema,

nesse soneto banal, sem emoção,

eu fuçarei eternamente rindo,

das brincadeiras que escrevi em vão.

III

Mas, se acaso, esse soneto findo,

vier a reluzir na imensidão,

por certo, eu chorarei sorrindo.

IV

E algum dia triste e desolado

farei bramir na tenda da ambição,

recordações imensas do passado.

Escrito por Carlos de Sena às 18h54
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Nordeste, SALVADOR, ITAIGARA, Homem, Mais de 65 anos, Portuguese, Arte e cultura, Música

Histórico